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Startup de Lages apresenta ferramenta para prevenir incêndios na Amazônia

Encontro na vice-presidência da República, realizado na quinta-feira (05/03), teve o objetivo inicial de criar um plano de ação da Flareless em parceria com o Governo Federal, buscando prevenir incêndios de grande magnitude como os que consumiram 4,4 milhões de hectares de vegetação na Amazônia em 2019. Ineditismo e eficácia do projeto catarinense também já chamaram atenção de clientes nos Estados Unidos e Europa.

Gil Augusto da Silva Pletsch, Marcos Benedito Schimalski, Diogo Ribeiro Machado e Leonardo de Liz Hampel, sócios da start up Flareless, spin-off da Quiron, de de Lages, foram recebidos em Brasília, na vice-presidência da República, nesta quinta-feira, 05 de março. O motivo de representantes do Governo terem chamado o quarteto à Capital Federal é que a empresa catarinense desenvolveu um sistema com algoritmo próprio que, aplicado às imagens de sensores de satélites, são geradas análises preventivas com alertas de até quinze dias antes que os focos de incêndios florestais comecem.

Diogo Machado, sócio e diretor de marketing da empresa, explica que o objetivo da reunião é criar em conjunto um plano de ação para a próxima temporada de incêndios na região Norte. “Foram mais de 4,4 milhões de hectares queimados na Amazônia em 2019. O que queremos é ajudar o Governo Brasileiro combater os problemas ocorridos no ano passado”, afirmou. 

Marcos Schimalski, doutor em Ciências Geodésicas, professor da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), e o sócio fundador da empresa responsável por conduzir os experimentos e aprimorar o algoritmo, explica o potencial da Flareless. “Nenhuma solução atualmente no mercado foca na análise preventiva, com possibilidade de atuação anterior ao incêndio, e de monitoramento remoto de focos em qualquer local do globo”, salienta. 

Comprovando a eficácia e ineditismo do projeto, em poucos meses de operação com a ferramenta a startup lageana já chamou a atenção, além do Governo Brasileiro, de clientes nos EUA e na Europa.

O desenvolvimento da solução da Flareless envolveu testes do algoritmo com incêndios ocorridos nos últimos anos, incluindo casos em Portugal, no ano de 2017, na Califórnia (EUA), em 2018, e em Santa Catarina, no ano passado.

A empresa analisou dados com 15 a 30 dias de antecedência dos eventos e identificou com alta precisão quais seriam as áreas impactadas.  O software desenvolvido pela empresa considera variáveis estáticas, como declividade do solo, material combustível e presença humana, além de variáveis dinâmicas, como precipitação, direção do vento e estresse hídrico. O resultado da combinação dessas e de outras variáveis, rodando no algoritmo, revela com até 15 dias de antecedência a maior probabilidade de áreas passíveis de incêndio florestal, gerando alertas. Dessa forma, as autoridades responsáveis podem tomar medidas preventivas e impedir que o fogo inclusive se inicie.

Resultados geram expectativa para que novas tratativas tenham encaminhamento

Na volta para Lages, os empreendedores da Flareless comentaram sobre os resultados e as primeiras impressões da agenda de Brasília.

“Tivemos uma boa receptividade. Apresentamos os dados e a capacidade do Flareless. Eles nos deram o direcionamento de como seria a contratação, caso realmente a ideia do governo, de fazer esse monitoramento, tenha aderência. Um segundo passo agora seria estudarmos efetivamente a amazônia da mesma forma que colhemos os dados, que já analisamos, de outras regiões do mundo. Foi um encontro promissor e esperamos que possamos passar novas impressões ao governo federal em breve”, comentou Gil Pletsch.

Sobre a Flareless

A Flareless é uma startup incubada no Orion Parque, em Lages, que desenvolveu uma plataforma de monitoramento remoto de incêndios florestais. Por meio de dados históricos e do monitoramento em tempo real, a ferramenta permite agir de forma preventiva à ocorrência de incêndios, oferecendo às equipes de campo maiores subsídios na tomada de decisão no combate ao fogo. Utilizando tecnologia totalmente remota e sem hardwares, a ferramenta possui baixo custo de implementação e grande confiabilidade nas informações. Os dados são obtidos por meio de imagens e sensores de satélites, e combinados com um algoritmo próprio que realiza as análises. Uma vez que o resultado indique alto risco de incêndio, os usuários são alertados através de diferentes canais de comunicação, também acessando uma plataforma para gerenciamento do plano de ação.

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