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Órion Parque
14 de setembro de 2018

Conheça a Salvo Soluções Digitais e o projeto Cowtrol

Incubadas no Órion desde novembro de 2017, a Salvo Soluções Digitais e o projeto Cowtrol prometem revolucionar aspectos da cultura tradicional da Serra Catarinense. Com inovação e tecnologia, as iniciativas pensadas pelo empreendedor paulista Marcus Moreno ainda não estão disponíveis no mercado, mas os projetos seguem em elevado nível de desenvolvimento.

Confira nosso bate-papo com Marcus Moreno, empreendedor da Salvo Soluções Digitais e do projeto Cowtrol

Você é de São Paulo. Você já tinha a Salvo antes de vir para a cidade? Há quanto tempo está em Lages?

Bom, estou há três anos aqui. A Salvo tem pouco mais de um ano . Quando eu me mudei de São Paulo pra cá eu resolvi empreender. Minha família veio para cá antes e, logo depois que cheguei, o Órion começou a funcionar, em 2016. Eu já estava envolvido com empreendedorismo, esse tipo de coisa, lá em São Paulo. Participava de eventos do SEBRAE, me interessava muito por tudo isso. Era, basicamente, o mesmo modelo de um Centro de Inovação e Parque Tecnológico como o Órion. Como tínhamos um amigo em comum, meu sócio comentou estar precisando de um sistema. Como em São Paulo eu já fazia isso, porque eu trabalhava numa financeira, já tinha feito um sistema para a captura de imagens sobre opções de financiamento. Esse material todo ia para a internet. Tinha a empresa que fazia toda a digitalização, mas não tinha quem fizesse o sistema. Assim surgiu a Salvo, num aspecto complementar às demandas que apareceram pra mim.

E o Cowtrol, como ele nasceu?

Logo depois da Salvo, tive também o projeto do Cowtrol. Brinco dizendo que ele saiu “meio sem querer”, porque meu cunhado e meu filho estavam conversando e aí eles falaram que tinha uma vaca nossa, chamada de “barrosa do chifre torto”, que ia dar cria, e por isso precisava de cuidados.

Olhei para os dois e fiquei curioso, pensando na denominação que ouvi. Pensei que se fosse pra eu saber, estaria em problemas para diferenciar e entender qual dos animais seria esse. Isso que estávamos no sítio. A partir disso, pensei que se eu tivesse um sistema, que incluísse a foto da vaca, o “nome dela” e o número do brinco, eu conseguiria identificá-la rapidamente, de forma muito mais segura e sem a necessidade de conhecer as características físicas do animal.

O Cowtrol começou assim. Uma vez que podíamos ter a possibilidade de identificação, podíamos controlar a necessidade de vacinas, verificar o peso e idade de cada um dos animais, por exemplo. Com o tempo e conversas com os produtores, vimos que o projeto foi ganhando credibilidade. As pessoas iam se interessando e vi que tinha viabilidade também a virar uma startup.

Em conversas com a diretoria do Órion, vi que esse projeto tinha toda viabilidade do programa ÓrionLab. O projeto foi evoluindo com o tempo, porque ele era, inicialmente, apenas um site, mas logo de cara notamos que o sistema precisaria ter internet no espaço onde o rebanho se desenvolve – situação que quase nunca é a realidade do produtor.

Então partimos para um aplicativo mesmo, que tem a opção de guardar na memória de celulares os registros do rebanho, e quando houver internet sincronizar as informações para a nuvem, de forma automática.

Quantos tipos de informações diferentes do animal o Cowtrol consegue processar e analisar?

Existem todos dados cadastrais dele, de identificação. Mesmo offline ele tem a opção de ver o acompanhamento de peso do animal, da fotografia e de medicamentos, por exemplo. Pensamos em fazer isso e, na versão gratuita do aplicativo, já vão ser incluídas essas opções.

Na hora do manejo são inseridas outras informações?

O Cowtrol tem duas parcerias muito fortes. Uma, que teve uma reunião recentemente, está para formalizar, e outra já está em conversas bem avançadas. Não está fechado, mas está quase. Viemos para cá, e depois de menos de um ano, já temos esse grau de maturidade, com dois clientes em potencial muito fortes.

São todos aqui da região serrana. Um grande potencial nosso é de que o nosso sistema Cowtrol é daqui da Serra, e isso nos dá uma vantagem competitiva com sistemas que já estão sendo utilizados pelos nossos parceiros . Sendo da região serrana, o manejo do nosso aplicativo e eventuais necessidades de assistência técnica são muito mais ágeis. Quando souberam que estamos no Órion, isso deu uma garantia ainda maior para eles.

O mecanismo do Cowtrol é como se fosse o de um colar, é isso?

Essa é uma segunda vertente do Cowtrol. Ele tem essa parte toda de segurança, manejo e controle e, além disso, através das nossas pesquisas com pecuaristas da região, notamos que existe muito a questão do roubo de gado, o abigeato. Então desenvolvemos esse sensor de temperatura e movimento, que pode ser colocado como uma coleira diretamente no animal. Ele vai ficar mandando informação para uma central, um computador na nuvem que vai centralizar todos esses dados e tratar as informações. Então, junto a essa coleira, vão ser colocados receptores, que irão coletar esses dados e, na sequência, fazem a ligação com a informação que vai ser passada para a nuvem. Até pelo volume de dados que vai ser coletado, torna-se quase impossível passar manualmente todas as informações que vamos reter.

O sistema Cowtrol poderia ser usado também para outros tipos de animais?

Qualquer tipo de animal. Além disso, ele também aceita que qualquer tipo de número próprio, de identificação, seja utilizado. Pode ser bem útil para registros como da CIDASC, por exemplo, ou qualquer outro que o pecuarista tenha.

Falando sobre o Órion, como que o Parque Tecnológico ajudou vocês nessa parte inicial de desenvolvimento e consolidação?

Nós tivemos mentorias aqui no Parque, mas desde o início do projeto, no ÓrionLab, o Gênesis já ajudou a observarmos se ele tinha viabilidade ou não. O Gênesis ajudou muito a preencher os campos dos projetos, na hora das candidaturas.

Na hora da apresentação, pensei que entrar efetivamente no Órion Parque seria um processo simples, mas durante mais de meia hora eu fui testado, escrutinado e avaliado de uma forma bem importante. Geralmente dá a impressão de ser alguma coisa mais fácil, mas todo o processo foi muito sério e consistente. Tive que desenvolver um pitch de cinco minutos, para apresentar a empresa. Testando, eu não consegui fazer ele nesse tempo – meu melhor foi 10 minutos!

Vocês participaram também de dois outros editais, como o Sinapse e o CNI, não é?

Exatamente, participamos dos dois e, agora, fomos aprovados no edital de Inovação para a Indústria 2018 (CNI). No Sinapse não passamos, mas ele tem uma opção bem interessante que é a de pedir o porquê o projeto poderia ser melhorado. Foi muito útil termos um feedback da organização, porque a pessoa que avaliou não entendeu a nossa proposta. Na prática, que avaliou teve uma ideia errada porque não conseguimos explicar melhor o que faríamos. O que de fato eu planejei era a questão da segurança, da coleira. O sistema de gestão do rebanho tem vários, mas o meu era diferente justamente por isso. De toda forma valeu muito essa percepção que tivemos porque graças a isso pudemos alterar a forma de divulgar nosso negócio e, assim, obtivemos uma resposta positiva neste último edital.




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